Economia Colaborativa

A nova lógica abordada pela Economia Colaborativa (também chamada de Economia Compartilhada ou Economia em Rede) propõe que se substitua a ideia de acúmulo pela de divisão. Vivemos um momento em que o planeta enfrenta sérios problemas ambientais e sociais decorrentes exatamente da onda de produção em massa e consumismo que se fortaleceu nos últimos séculos. Nunca as pessoas tiveram acesso a tanto sem saber como lidar com isso.

A base do pensamento economicamente colaborativo é o de porque ter algo de que só precisaremos uma vez. Não precisamos comprar uma furadeira para fazer um único furo na parede, podemos emprestar de um vizinho ou até mesmo alugar de um dos novos serviços que surgiram como fruto desse contexto de divisão acima do acúmulo. Já há cases de empresas bem-sucedidas no mercado da Economia Colaborativa como a Uber, por exemplo, que sem ter um único carro em sua frota é uma das líderes de mobilidade mundial.

Entendendo o conceito de Economia Colaborativa

A conceituação de Economia Colaborativa nasce como uma conscientização a respeito do consumo desenfreado. Os indivíduos compreenderam que pode ser mais positivo, do ponto de vista econômico e social, reduzir a busca pelo lucro a qualquer custo encontrando na divisão de seus bens e até de seu tempo um caminho harmônico para o sucesso. Esse é um movimento tanto das empresas quanto dos consumidores que cada vez mais perseguem um estilo de vida e de produção mais sustentável.

Trata-se de um modelo alternativo de economia que objetiva a realização da divisão de recursos humanos e físicos (crowdsourcing) em todas as suas esferas – partindo da criação e produção, passando pela distribuição e culminando em seu uso – de maneira que as pessoas consigam manter o seu estilo de vida sem que para isso precisem necessariamente continuar a consumir ilimitadamente, não é necessário acumular para ter.

Avanços tecnológicos e a potencialização da Economia Colaborativa

Quando paramos para pensar a respeito do estilo de vida de sociedades como as indígenas, por exemplo, nos damos conta de que a Economia Colaborativa não é exatamente algo criado agora. Muitos desses povos têm como parte central de sua cultura o compartilhamento de objetos e vivências, em alguns casos não há nem mesmo a delimitação de isso é meu e isso é seu. O desenvolvimento social dos grandes centros econômicos levou diversos grupos sociais a acreditar que essa delimitação era necessária e a de certa maneira impedir o uso compartilhado de recursos.

O advento e difusão da internet tornou possível que a Economia Colaborativa crescesse em escala. Observe que para chamar um carro para onde deseja ir basta alguns cliques no aplicativo do Uber enquanto que para impulsionar um projeto em que acredite só precisa clicar em apoiar no site do Catarse ou tantas outras plataformas de financiamento coletivo (crowdfunding). Entre os anos de 2008 e 2009 essa forma alternativa de economia se tornou ainda mais poderosa especialmente pelos recursos com que passou a contar.

 

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Compartilhando bens e espaços

As facilidades que os dispositivos móveis como smartphones e o acesso à internet 24 horas por dia criaram permitiram o nascimento e fortalecimento de inúmeras empresas colaborativas que dependem apenas de um aplicativo e alguns usuários interessados. Hoje em dia, há o compartilhamento de uma série de recursos incluindo bens materiais como carros que podem ser usados em aplicativos de carona como Uber para gerar renda assim como apartamentos e casas de indivíduos comuns que podem ser alugadas por meio de plataformas como Airbnb.

Até mesmo a divisão do espaço do escritório de trabalho com outras empresas num sistema de coworking. Projetos como o do prédio com apartamentos de 10 metros quadrados em que boa parte da estrutura do dia a dia é compartilhada na forma de área comum, até mesmo a cozinha, estão ganhando mais espaço no mercado.

 

 

Objetos como a já citada furadeira ou outros itens de uso doméstico também podem ser compartilhados como acontece na plataforma Tem Açúcar? em que é possível evitar comprar algo que um vizinho já tem e pode partilhar. Saiba que até roupas podem ser compartilhadas evitando o consumismo, algo que incentivou o nascimento da BLIMO que muitos chamam de a Netflix dos closets oferecendo por uma parcela mensal fixa um guarda-roupas inteiro.

Compartilhamento de tempo

O compartilhamento permite a criação de tantos negócios quanto a sua imaginação for capaz de criar, contudo, há uma modalidade dessa economia alternativa que não podemos deixar de citar, aquela que tem no tempo a sua principal moeda de troca. Os chamados ‘Bancos de Tempo’ estão presentes, atualmente, em muitos países como Estados Unidos (o pioneiro com o primeiro ‘Time Banks’ registrado em 1992), Portugal, Itália e Brasil.

A mecânica de funcionamento desses bancos, que tem no tempo a sua moeda, é bastante simples, um indivíduo presta um serviço espontaneamente para outro recebendo então ‘crédito’ para receber um serviço de outro usuário. O mais interessante é que não é necessário ter nenhum tipo de capacitação para oferecer o seu tempo para outra pessoa, você faz algo de que gosta e recebe uma contrapartida do tempo de outra pessoa por isso.

O Estado e a Economia Colaborativa

O Brasil é o líder latino-americano do setor de economia colaborativa, contudo, esse destaque se deve exclusivamente aos prestadores de serviços e consumidores. Embora seja uma tendência que vem se fortalecendo ao longo dos anos esse modelo econômico ainda não recebe a atenção devida por parte do Estado que não tem tomado iniciativas para investir e aproveitar a sua potencialidade assim como tem apresentado entraves para a regulamentação de alguns serviços como o Uber, por exemplo.

Um exemplo de sucesso da união do poder público e da economia de compartilhamento é o de Seul, na Coreia do Sul, em que a prefeitura deu incentivos para que a população se engajasse tanto na divisão de bens por meio de plataformas como para que o empreendedorismo crescesse sob esse viés. Na Europa a primeira cidade a investir no modelo de economia colaborativa é Amsterdã, na Holanda, através do projeto Amsterdam Sharing City que visa proporcionar a interação e compartilhamento de espaços públicos e privados em vários âmbitos.

Felicidade real é a felicidade compartilhada

Essa frase nunca foi tão verdadeira quanto agora, cada vez mais se tem descoberto que apesar da compra de produtos desencadear uma sensação momentânea de felicidade são as experiências de uso que realmente contam. Dividir objetos, espaços, tempo e experiências com outra pessoa ajuda a fazer de você uma pessoa mais feliz, isso está cientificamente comprovado.

 

Por Marillyn Damazio
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